domingo, 18 de dezembro de 2011

E tudo isso vai passar ( FALTA ATUALIZAR)

Na verdade não era carnaval, réveillon e nem mesmo o verão, mas a cabeça rodava como um pileque, nem mesmo sentia a euforia descontraída de um folião, era uma confusão estranha que mexe com vários sentimentos fazendo sentir um aperto diferente. Era inicio de uma nova temporada pelo menos pra mim, costumava a maioria das vezes me perder em pensamentos desconexos, em sentimentos, agora era diferente tinha que aprender a entender minhas fraquezas e aí cada aquele cara fortão? Parecia mais um "Pierrot ao chorar pela colombina no meio da multidão, não estava com o coração partido por nem um desamor, mas ele estava muito apertado com coisas novas que precisava aprender a me dar, com coisas diferentes, é estranho quando crescemos que saímos daquela proteção a qual nossos pais tentavam nos encapsular, e aí "neguinho" é que o negocio pega! De ver o cara lá inteirão, vir o médico e dizer "a boa notícia é que o exame correu tudo bem, mas achamos um tumor (câncer) com a metastase avançada, não conseguimos saber qual o foco primário" tudo bem que a minha cabeça ainda estava na palavra câncer, e meu egoísmo rapidamente juntou com meu medo e aflorou cabeça rodando, girando e agora a relação que iniciei no inicio do texto sabe quando o carnaval ta rolando e aí onde eu estou? Cadê o pessoal que estava comigo, pronto e exatamente isso ou então cade aquele amor que aconteceu no verão e passou tão rápido que criou estragos no pobre coração. Poise a cabeça foi direto procurando no meu egoísmo a época da escola mais na lembrança nem uma série primaria, secundaria nem mesmo de graduação vinha aquela explicação, o entendimento do perder, na verdade era o medo dele, essa era a primeira fase, meu desespero tomava conta da minha cabeça, sem entender que isso aí era a escola, a escola da vida me dando mais uma lição, entender isso não fez com que eu me mantivesse mais calmo e nem mesmo mais forte, me fez criar questionamentos que no futuro muito próximo seriam bem importantes, entre muitos choros consolos de pessoas amadas o coração parece que volta do carnaval, de qualquer lugar onde pudesse estar tão bagunçado quanto a cabeça estava. Começa a fase do medo, posso dizer que essa não passa ela fica pelo menos até agora não passou ela fica mais branda, no inicio era em choros, já não tão freqüentes, pra situações de o choro tão forte tirar choros da mãe e da madrinha "não to preparado pra perder meu pai" sem perceber que aquele egoísmo tirava a percepção de que eu não era o único a sofrer. Aí veio a hora de contar, médico conta pra ele, aquilo passa a seco como uma bala a queima roupa, tão quente que no inicio precisa um silencio calmo pra ele absorver então, o cara fecha os olhos e depois de alguns minutos eu, ele e a minha irmã, ele fala pra não chorarmos e eu em seguida largo então não chora tu não vai morrer, a gente vai vencer essa luta, e ele nos diz "não tenho medo de morrer, tenho medo de deixar vocês" aquelas referencias que todo mundo fala "não demonstra fraqueza na frente dele" devo ter esquecido no primeiro "n" me botei a chorar parecia criança e junto com aquele cara que nos meus 25 anos nunca havia visto chorar , agora vendo ele apertar os olhos pra disfarçar o choro. Parecia um mantra mas no meio de tanta gente, me ajudou muito "eu não vou perder meu pai, eu não vou perder meu pai" isso me ajudou muito, vieram vários retardados ou devia dizer desumanos, um deles me disse "só um milagre" essa desceu feito uma bomba a janelinha do corredor já era grande amiga dos meus choros, e lá estava eu, namorada, madrinha, irma da mulher do meu pai, minha prima todo mundo tentando ajudar, consolar, mas meu coração acho que nem ali estava fiquei muito perdido, choro, respira acalma, chora de novo, como dói , ficamos um pouco mais com ele essa noite não dormimos no hospital, cheguei em casa, minha mãe me da um ansiolitico na esperança de eu passar uma noite melhor, fiquei na sala fingindo ver alguma coisa na televisão mas minha cabeça não estava ali, depois entro pro meu quarto, na cama chorando e minha mãe acordou veio no meu quarto, me partia o coração ver ela chorando me vendo chorar, mas meu coração estava desolado demais pra conseguir parar naquele momento ela de deitou comigo enquanto eu ouvia " pai pode ser que daqui algum tempo haja tempo pra gente ser mais, muito mais que dois grandes amigos, pai e filho talvez" "Pai
Eu cresci e não houve outro jeito
Quero só recostar no teu peito
E pedir pra você ir lá em casa
E brincar com vovô com meu filho
No tapete da sala de estar"
Nossa na minha cabeça isso ia feito tortura, o meu medo me matava de imaginar que meu pai não estaria o dia que eu fosse ter me filho, nossa meu coração entrava em uma aflição que não sei explicar, voltei ao hospital, lá estava ele absorvendo ainda a informação. Depois veio a fase que ainda estou, da aceitação, da luta, do choro discreto enquanto as noites passo do lado dele, foi quando passei a confiar mais em Deus, aqueles questionamentos me foram muito úteis pra essa fase onde acredito que Deus e magnânimo e isso tudo vai passar, e em uma hora certa meu filho vai ter avó mas meu pai também estará lá pra ser avô, que isso é uma guerra longa, mas que ela não pode e nem vai me fazer deixar de sorrir, tirando todo o lado ruim da doença ela me trouxe muitas coisas boas, a começar me deixou mais perto de Deus, ao invés de pensar em culpar, ele entrou ainda mais no meu coração, me mostrou que brigas mesquinhas não acrescentam nada, me deu um medo enorme pra poder dar mais valor, me ensinou a tirar de dentro de mim sentimentos ruins... Trouxe pessoas que eu morria de saudade pra perto, mostrou o grande lutador que meu pai é, esse aqui nem mesmo com tudo isso diminuiu a fé, vamos respeitar o cara é um lutador. Agradecer a minha mãe e a minha madrinha por toda a força, carinho e amor! A minha namorada por todo o apoio, a minha irmã, cunhado, avó e tia avó que sempre ajudam a tornar isso mais fácil do que é, aos meus amigos e tios toda a força, a Norma ao apoio e companheirismo que aprendemos a criar nessa fase, e aos meus queridos que não sabiam o que fazer ou falar, eu entendo , confesso que preferia ter mais um abraço e falar besteiras do que a omissão, mas eu entendo perfeitamente! Agradecer a umas pessoas que vem sempre tentando me dar força, Toninho meu primo, que tem vivido bastante disso por estar fazendo a fisioterapia do meu pai, tio Affonso, Paulinho, Helllyette e Blanca, e a todos os primos, sem me esquecer da Ana Paula e o Ze. Eloi que parecem que sempre estam por aqui quando o negocio vai apertar mais, Mateus, Luiz, João e Mario, lembrando também do Breno e Bruno e todos que mandam mensagens, emails ou ligam, a minha amiga Natasha que ela mantenha sempre esse coração e a fé. E a outras pessoas que mesmo de longe tentam mandar positivas vibrações.

Por favor não notem os erros foi feito nessas madrugadas intermináveis de hospital, a todos que eu botei dentro de grupos e porque já são 5 da manha e o corpo já esta pedindo arrego!

Boa noite a todos!
Neto Soares
07/09/2011

OBS: O Final da história não é feliz como idealizei =/

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